Nem tudo que é privado pode virar público….. e vice-versa

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Alex Padre

Existe uma regra simples, quase didática, que costuma ser esquecida quando o assunto é poder e rede social:
não podemos fazer na esfera pública o que fazemos na privada.

Na vida pessoal, cada um escolhe o que posta, onde divulga, como comunica e para quem fala. É o território do “meu perfil, minhas regras”.
Já na esfera pública, a lógica é outra. Bem outra.

O poder público não é extensão da vida privada, nem a conta pessoal é um puxadinho institucional. Quando essas duas coisas se misturam, o que parece modernidade vira problema e rápido.


O erro não está na rede, está no uso

Ter rede social não é o problema.
O problema começa quando ações, serviços ou orientações oficiais passam a circular em perfis pessoais, como se a administração pública tivesse dono, rosto fixo ou algoritmo favorito.

Na esfera privada, engajamento é mérito.
Na pública, engajamento não é critério legal.

A administração pública é regida por princípios que não cabem em bio, não aceitam impulsionamento e não funcionam no modo “publique e apague depois”.

Público exige impessoalidade

O que é público precisa ser tratado como público:

  • canal institucional

  • linguagem neutra

  • acesso universal

Quando isso é feito por meio de perfil privado, a comunicação deixa de ser institucional e passa a ser personalizada. E personalização, no serviço público, não é virtude... é risco.


Dinheiro público não patrocina perfil pessoal

Na esfera privada, parcerias, monetização e visibilidade fazem parte do jogo.
Na pública, não.

Recursos públicos não podem remunerar conteúdo produzido em perfil pessoal, ainda que a intenção seja boa, o alcance seja grande ou o discurso venha embalado como “serviço”.

O princípio é simples:

o que beneficia um perfil privado não pode ser pago com dinheiro público.


Conclusão

A confusão entre o público e o privado não é detalhe técnico é falha estrutural.

Não podemos fazer na pública o que fazemos na privada.
E nem usar a privada para fazer o papel da pública.

Porque quando essa linha se perde, a comunicação deixa de informar… e começa a justificar.

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