MANDAGUARI: VAI PRECISAR DE UMA MORTE PARA OS FIOS VIRAREM PRIORIDADE?

mandaguarifios
Alex Padre

O vídeo do motociclista se enroscando em fios soltos em Mandaguari não é só um susto. É um aviso. Um aviso daqueles que a cidade insiste em deixar pendurado, igual os próprios cabos.
Link do video do ocorrido: https://youtu.be/0k4B2cQoHTU

O vídeo que circula nas redes mostra um motociclista se enroscando em fios soltos no meio da rua. Não é montagem. Não é inteligência artificial. É a realidade mesmo. A mesma pauta que já foi debatida na Câmara. A mesma conversa repetida em sessão. A mesma indignação protocolada. E a mesma solução… invisível.
A pauta já foi discutida na Câmara. Já foi mencionada. Já foi falada com cara de indignação. Mas falar virou esporte municipal. Resolver ainda não entrou em temporada.


Recentemente publicamos a matéria sobre a ação da Bless Internet em Maringá, onde equipes foram colocadas nas ruas para retirar fios soltos e evitar acidentes. Não foi discurso. Foi ação prática. Está aqui para quem quiser ler:
https://alexpadre.com/noticias/acao-de-gigante-bless-internet-limpa-a-barra-de-maringa-e-doa-equipes-para-salvar-vidas/

E Mandaguari? Está esperando o quê exatamente? Um velório para convocar reunião extraordinária?


Os vereadores adoram cobrar leis. Então que cobrem mais leis. Que proponham leis duras. Que criem mecanismos para punir operadoras que deixam fios largados como se a cidade fosse quintal de descarte.


Porque sejamos francos: as operadoras lucram aqui. Cobram mensalidade em dia. Fazem propaganda bonita. Vendem velocidade. Mas quando o assunto é organização e segurança urbana, o cabo vira invisível.


E cobrar só a Prefeitura por má ação de empresas privadas que estão faturando alto na cidade é conveniente demais. É fácil apontar para o Executivo enquanto as operadoras seguem pendurando risco no poste e no pescoço da população.

Se existe responsabilidade compartilhada, que ela seja cobrada de quem realmente está ganhando dinheiro com isso.

Não é sobre politicagem. É sobre segurança pública. É sobre não transformar rua em armadilha.


Mandaguari já mostrou em outras ocasiões que sabe reagir quando mexem no bolso coletivo. Será que vai precisar mexer na vida de alguém para mexer na organização dos fios?

Fica a pergunta incômoda, daquelas que ninguém gosta de ouvir:

Quantos vídeos mais vão circular antes de circular uma solução?


Agora, fica o recado.

Vereadores, se a pauta já foi discutida, discutam de novo. Mas discutam até virar lei que doa no bolso de operadora desleixada. Criem regra. Criem multa. Criem obrigação real. Porque discurso inflamado em tribuna não corta fio e nem salva motociclista.

Operadoras, vocês faturam na cidade. Não é favor prestar serviço organizado, é obrigação. Poste não é varal de improviso. Rua não é campo de teste. Se tem equipe para instalar internet em duas horas, também tem que ter equipe para retirar cabo abandonado. Ou só existe agilidade quando é para emitir boleto?

E à Prefeitura, cobrar é justo. Mas fingir que o problema nasce no Paço é preguiça intelectual. Quem lucra com a fiação precisa responder por ela. Simples assim.


Agora vem a parte irônica que ninguém esperava:

Será que Mandaguari vai precisar pedir ajuda para a Bless Internet? Vai ter que ligar para o Adriano Padrella e dizer “moço, salva nós também”? Porque lá agiram antes da tragédia. Aqui estamos assistindo replay em câmera lenta.

É constrangedor que uma empresa privada dê exemplo de organização enquanto o poder público debate a gravidade do óbvio.

No ritmo que está, só falta criar a Secretaria Municipal do Fio Solto e abrir audiência pública para estudar o perigo de cabo na altura do pescoço.

Mandaguari não precisa de mais falação. Precisa de atitude. Antes que o próximo vídeo não seja de susto, mas de sirene.

E quando isso acontecer, não adianta postar nota de pesar com foto em preto e branco.

Porque fio solto não mata por acidente. Mata por omissão.

 

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