
Se você conseguiu ler este título sem ter um tique nervoso para checar o WhatsApp, parabéns: você é uma raridade arqueológica. O resto da humanidade — inclusive você, que está lendo isso escondido no banheiro do trabalho — já entregou o controle remoto da própria vida para um bando de moleques de camiseta de gola V lá no Vale do Silício.
A Grande Barbada dos Trouxas
Nietzsche já avisava: "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro". E olha para nós agora. O monstro não tem sete cabeças, ele tem uma tela de 6 polegadas e te entrega vídeos de "satisfying" enquanto você ignora o boleto vencendo na aba ao lado. Trocamos o Super-Homem pelo Super-Alienado.
Estamos vivendo a Gourmetização da Ignorância. O algoritmo não quer te educar, ele quer te manter num estado de transe bovino, ruminando polêmicas de 15 segundos. É o Panóptico de Foucault, mas em vez de guardas na torre vigiando os presos, temos subcelebridades de dentes ultra-brancos vigiando se você está consumindo o lixo da semana. E você, como um bom súdito, ainda dá o "like" de agradecimento.
O Narcisismo de Boteco e a Ontologia do Scroll
Jean-Paul Sartre dizia que "o inferno são os outros", mas ele nunca viu uma seção de comentários de portal de notícias em Mandaguari ou Paiçandu. O inferno é o scroll infinito. É essa busca desesperada por algo que você nem sabe o que é, mas que te impede de olhar para o lado e perceber que sua vida está passando como um vídeo acelerado: barulhento, frenético e absolutamente vazio de sentido.
Até o MrBeast, que é basicamente o imperador desse circo digital, já sacou que a conta não fecha. O cara fatura bilhões e está querendo fugir dessa esteira rolante de conteúdo que moi o cérebro. E você aí, que ganha o suficiente pra um espetinho e uma gelada, se sente na obrigação de ser "onipresente" nas redes. Menos, né? Onipresente é quem já morreu e virou nome de rua. Você é só um sobrevivente tentando não ter um burnout antes do meio-dia.
Pílulas de Realidade (Para não ser um imbecil completo):
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A Dieta do Estrume: Pare de seguir gente que te faz sentir que sua vida é uma droga. Aquele "coach" que acorda às 4h da manhã pra tomar banho de gelo e postar frase motivacional merece o seu desprezo, não o seu follow. Se a criatura parece feliz demais no Instagram, ou ela está mentindo, ou está tentando te empurrar um curso de como ser falso igual a ela.
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O "Manual do Não Fazer" na Prática: A gente vive ocupado fazendo... nada. Discutimos a vida de gente que não sabe que existimos, odiamos por tabela e defendemos políticos que não passariam um café pra gente. Ser produtivo virou postar que está trabalhando. Se você trabalhasse mesmo, não teria tempo de postar o layout do Canva com a legenda "foco, força e fé".
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A Ditadura da Curtida: Curtida não enche barriga e não limpa nome no SPC. É a "moeda de troca dos tolos". Faça a experiência: poste algo que exija dois neurônios para entender e veja o silêncio sepulcral. Poste uma fofoca de esquina ou uma foto de prato feito e veja os zumbis virem babando. O algoritmo premia a mediocridade porque a mediocridade é fácil de gerenciar.
Conclusão: O Apocalipse é Silencioso
O mundo não vai acabar com uma explosão nuclear. Vai acabar com todo mundo olhando pra baixo, tropeçando no próprio ego enquanto espera o próximo vídeo de um gato tocando piano.
Vou ali agora lavar minha alma com um café forte e olhar para a parede por dez minutos — sem postar foto disso — só para provar para o Mark Zuckerberg que eu ainda sou o dono da minha própria atenção.
Se você sobreviveu a este texto, parabéns. Agora, larga essa porcaria de celular e vá fazer algo útil. Nem que seja ficar à toa de verdade, sem Wi-Fi, pra ver se você ainda lembra quem você é quando ninguém está olhando.
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